domingo, 14 de março de 2010
quarta-feira, 3 de março de 2010
De volta aos velhos tempos: quintais contra o efeito estufa
O desmatamento urbano — eliminação de matas, árvores de parques públicos e ruas, além do acimentamento de quintais — é um dos fenômenos responsáveis pelo forte calor nas grandes cidades, sentido com mais intensidade neste verão. Com a desculpa de que plantas dão trabalho e que raízes podem causar danos estruturais em construções, muitos acabam com a vegetação ignorando o mal ao próprio bem-estar.Diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas (Dibap) do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), André Ilha diz que não há justificativa para tal: “O argumento do trabalho de varrer folhas e cuidar das árvores é injustificável. É bem mais agradável com elas”.
Em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, o desmatamento urbano castiga mais a periferia do que as regiões nobres. Em São Paulo, praças e parques atendem aos bairros mais ricos. No Rio de Janeiro, além de as moradias da Zona Sul terem sido erguidas em áreas próximas da Mata Atlântica, há a brisa do mar. Mas é possível ver espécies eliminadas de muitas vias públicas e praças, às vezes, por falta de conhecimento ou cuidados.
“Se a pessoa está no Jardim Botânico ou no Grajaú, que são bairros do Rio arborizados, a temperatura é uma. Se ela está em outro lugar da Zona Norte, a sensação térmica já é outra. Claramente, a presença de árvores arrefece o calor”, observa André Ilha.
Segundo ele, não é exagero afirmar que a sensação térmica sentida neste verão seja uma das consequências do aquecimento global, e que o desmatamento tem forte relação com esse calor. “As árvores capturam o dióxido de carbono, que é um dos GEEs (gases do efeito estufa), e o fixa em seus caules e folhas”, explica André, que é ambientalista e também fundador do Grupo Ação Ecológica (GAE).
As antigas amendoeiras e pés de ficos causavam muitos problemas a construções, devido à expansão destrutiva das raízes. Muitas foram mortas devido ao risco de abalarem fundações. “E nem eram nativas”, lembra André. Mas há alternativas, como oitis, palmeiras, entre outras espécies nativas da Mata Atlântica. Essas são menos invasivas, frondosas e refrescam o ambiente e as fachadas dos prédios.
sábado, 26 de dezembro de 2009
Ministros lançam primeiro Plano Anual de Manejo Comunitário e Familiar

Os ministros do Meio Ambiente, Carlos Minc, e do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, lançaram, terça-feira (22/12), o primeiro Plano Anual de Manejo Comunitário e Familiar, que, em 2010, vai beneficiar quase 18 mil famílias distribuídas por sete estados e 85 municípios da Amazônia.
O Plano Anual tem a missão de estimular o manejo florestal sustentável, que envolve a extração de madeira e de produtos não madeireiros - óleos, resinas, cascas e sementes - para ribeirinhos, assentados da reforma agrária, quilombolas e indígenas.
"Temos um plano que vai gerar renda, combater o desmatamento e incluir a população na conservação do meio ambiente", afirmou Minc. "O manejo florestal comunitário é uma alternativa concreta para gerar renda para as populações rurais e manter a floresta em pé", diz o diretor-geral do Serviço Florestal, Antônio Carlos Hummel.
O Serviço Florestal é um dos responsáveis pela elaboração do documento e execução das ações, que vão agir em cima dos gargalos à atividade, identificados em conjunto com 11 das principais entidades da sociedade civil da região.
"A participação deles foi importante na priorização das ações. Procuramos abordar o que eles reconhecem como os pontos que realmente atrapalham o manejo", diz a gerente de Florestas Comunitárias do Serviço Florestal, Márcia Muchagata.
Entre as atividades a serem realizadas estão a capacitação em empreendedorismo, manejo, gestão financeira, boas práticas para produção florestal, a regularização ambiental, e construção e reforma de 4.200 casas em assentamentos.
O Plano terá R$ 40 milhões, sendo que R$ 17 milhões estão voltados para o financiamento, via Pronaf Florestal, do manejo florestal, silvicultura e sistemas agroflorestais. "Esse é o nosso primeiro plano, é ambicioso e está dentro da nossa capacidade de fazê-lo", disse o ministro Guilherme Cassel.
Livro de bolso - O ministro Carlos Minc também lançou nesta terça-feira (22/12), o livro de bolso "Florestas do Brasil em resumo". A publicação, produzida pelo Serviço Florestal Brasileiro, reúne informações sobre composição, gestão, conservação, dados socioeconômicos e outros aspectos das florestas brasileiras. "Havia a demanda por um documento com informações sistematizadas sobre as florestas brasileiras", disse o diretor-geral do Serviço Florestal, Antônio Carlos Hummel.
O livro, de 120 páginas, consolida dados produzidos por diversos organismos envolvidos no uso, manejo e conservação das florestas. Este modelo de minilivro também é produzido por órgãos florestais de outros países como Austrália, Finlândia, Chile, Estados Unidos e Canadá. A versão em inglês do "Florestas do Brasil em resumo" foi distribuída na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP-15), que terminou dia 18 de dezembro em Copenhague.
Programa lançado pelo presidente Lula - O Plano Anual de Manejo Comunitário e Familiar é o primeiro a ser produzido após a assinatura, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Decreto 6.874/09, que instituiu o Programa de Manejo Florestal Comunitário e Familiar. Todo ano, serão lançados planos anuais com metas para o ano seguinte.
O documento é elaborado por um comitê gestor com o total de seis titulares e seis suplentes dos ministérios do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário. O Serviço Florestal e o Incra têm representantes no comitê. Com o intuito de envolver a sociedade civil, o comitê gestor instituiu um grupo de trabalho com 11 entidades que estão entre as mais representantivas do setor.
Ajudaram a formular o plano a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetraf), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Fórum Nacional das Atividades de Base Florestal (FNABF), Fórum Brasileiro de Organizações Não Governamentais e Movimentos Sociais para Meio Ambiente e Desenvolvimento (FBOMS), União Nacional das Escolas de Famílias Agrícolas no Brasil (Unefab), Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
O Plano Anual tem a missão de estimular o manejo florestal sustentável, que envolve a extração de madeira e de produtos não madeireiros - óleos, resinas, cascas e sementes - para ribeirinhos, assentados da reforma agrária, quilombolas e indígenas.
"Temos um plano que vai gerar renda, combater o desmatamento e incluir a população na conservação do meio ambiente", afirmou Minc. "O manejo florestal comunitário é uma alternativa concreta para gerar renda para as populações rurais e manter a floresta em pé", diz o diretor-geral do Serviço Florestal, Antônio Carlos Hummel.
O Serviço Florestal é um dos responsáveis pela elaboração do documento e execução das ações, que vão agir em cima dos gargalos à atividade, identificados em conjunto com 11 das principais entidades da sociedade civil da região.
"A participação deles foi importante na priorização das ações. Procuramos abordar o que eles reconhecem como os pontos que realmente atrapalham o manejo", diz a gerente de Florestas Comunitárias do Serviço Florestal, Márcia Muchagata.
Entre as atividades a serem realizadas estão a capacitação em empreendedorismo, manejo, gestão financeira, boas práticas para produção florestal, a regularização ambiental, e construção e reforma de 4.200 casas em assentamentos.
O Plano terá R$ 40 milhões, sendo que R$ 17 milhões estão voltados para o financiamento, via Pronaf Florestal, do manejo florestal, silvicultura e sistemas agroflorestais. "Esse é o nosso primeiro plano, é ambicioso e está dentro da nossa capacidade de fazê-lo", disse o ministro Guilherme Cassel.
Livro de bolso - O ministro Carlos Minc também lançou nesta terça-feira (22/12), o livro de bolso "Florestas do Brasil em resumo". A publicação, produzida pelo Serviço Florestal Brasileiro, reúne informações sobre composição, gestão, conservação, dados socioeconômicos e outros aspectos das florestas brasileiras. "Havia a demanda por um documento com informações sistematizadas sobre as florestas brasileiras", disse o diretor-geral do Serviço Florestal, Antônio Carlos Hummel.
O livro, de 120 páginas, consolida dados produzidos por diversos organismos envolvidos no uso, manejo e conservação das florestas. Este modelo de minilivro também é produzido por órgãos florestais de outros países como Austrália, Finlândia, Chile, Estados Unidos e Canadá. A versão em inglês do "Florestas do Brasil em resumo" foi distribuída na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP-15), que terminou dia 18 de dezembro em Copenhague.
Programa lançado pelo presidente Lula - O Plano Anual de Manejo Comunitário e Familiar é o primeiro a ser produzido após a assinatura, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Decreto 6.874/09, que instituiu o Programa de Manejo Florestal Comunitário e Familiar. Todo ano, serão lançados planos anuais com metas para o ano seguinte.
O documento é elaborado por um comitê gestor com o total de seis titulares e seis suplentes dos ministérios do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário. O Serviço Florestal e o Incra têm representantes no comitê. Com o intuito de envolver a sociedade civil, o comitê gestor instituiu um grupo de trabalho com 11 entidades que estão entre as mais representantivas do setor.
Ajudaram a formular o plano a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetraf), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Fórum Nacional das Atividades de Base Florestal (FNABF), Fórum Brasileiro de Organizações Não Governamentais e Movimentos Sociais para Meio Ambiente e Desenvolvimento (FBOMS), União Nacional das Escolas de Famílias Agrícolas no Brasil (Unefab), Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Minc defende emprego verde em painel do Pnuma
Em palestra no painel Economia Verde: Implementando um Novo Acordo Climático, promovido na COP15 pelo Pnuma e pela OIT (Organização Internacional do Trabalho), em Copenhague (Dinamarca), o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que graças à perspectiva de criação de empregos verdes o Governo Federal foi convencido a "estabelecer metas ousadas" de redução de CO² até 2020, entre 36,1% e 39%.
Segundo Minc, "a maior parte" do governo temia que o estabelecimento de "metas mais ousadas" implicaria "no sacrifício das pessoas e de empregos". No entanto, continuou o ministro, "mostramos que seriam criados milhões de empregos verdes na indústria e na agricultura".
Um dos eventos paralelos às discussões oficiais da COP15, o painel foi presidido pelo diretor-executivo do Pnuma, Achim Steiner, que elogiou o empenho brasileiro na criação dos chamados empregos verdes. Em sua fala, o ministro do Meio Ambiente deu alguns exemplos de setores que irão empregar mais gente, fazendo com que "as metas ousadas de redução das emissões" de gases-estufa sejam atingidas.
Na agricultura, com o emprego de técnicas de plantio direto, "você cria mais empregos, emitindo menos". Ao garantir preços mínimos para dez produtos extrativistas da Floresta Amazônica, como o babaçu e a borracha, o governo está incentivando a criação de empregos no setor. Com o chamado "aço verde", produzido a partir de carvão vegetal oriundo do plantio econômico de árvores, também serão criados mais empregos, reforçando-se a preservação das florestas nativas brasileiras.
O ministro deu ainda o exemplo de recente leilão de energia eólica, promovido pelo governo, para a produção de 1.800 MW de energia, que implicará na triplicação da capacidade de produção de eólica, criando-se também mais empregos.
Ao ouvir as falas de Minc e de outros ministros ambientais convidados para o painel, Steiner lembrou que os empregos verdes estão crescendo em todo o mundo e que, atualmente, não existe "propriamente uma questão de criar uma economia verde, mas sim de torná-la visível".
Segundo Minc, "a maior parte" do governo temia que o estabelecimento de "metas mais ousadas" implicaria "no sacrifício das pessoas e de empregos". No entanto, continuou o ministro, "mostramos que seriam criados milhões de empregos verdes na indústria e na agricultura".
Um dos eventos paralelos às discussões oficiais da COP15, o painel foi presidido pelo diretor-executivo do Pnuma, Achim Steiner, que elogiou o empenho brasileiro na criação dos chamados empregos verdes. Em sua fala, o ministro do Meio Ambiente deu alguns exemplos de setores que irão empregar mais gente, fazendo com que "as metas ousadas de redução das emissões" de gases-estufa sejam atingidas.
Na agricultura, com o emprego de técnicas de plantio direto, "você cria mais empregos, emitindo menos". Ao garantir preços mínimos para dez produtos extrativistas da Floresta Amazônica, como o babaçu e a borracha, o governo está incentivando a criação de empregos no setor. Com o chamado "aço verde", produzido a partir de carvão vegetal oriundo do plantio econômico de árvores, também serão criados mais empregos, reforçando-se a preservação das florestas nativas brasileiras.
O ministro deu ainda o exemplo de recente leilão de energia eólica, promovido pelo governo, para a produção de 1.800 MW de energia, que implicará na triplicação da capacidade de produção de eólica, criando-se também mais empregos.
Ao ouvir as falas de Minc e de outros ministros ambientais convidados para o painel, Steiner lembrou que os empregos verdes estão crescendo em todo o mundo e que, atualmente, não existe "propriamente uma questão de criar uma economia verde, mas sim de torná-la visível".
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Itatiaia merece novo alojamento
Entidades brasileiras ligadas ao montanhismo divulgaram na última sexta (11) um manifesto onde pedem um ponto de camping ou abrigo de montanha na parte alta do Parque Nacional do Itatiaia. Segundo as federações de Montanhismo e Escalada do Rio de Janeiro e de São Paulo, Grupo de Excursionista Agulhas Negras e Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada, a demanda é conduzida através da câmara técnica de montanhismo e conselho consultivo do parque, mas ainda sem sucesso. "Essa demanda nunca foi priorizada e, repetida e historicamente, recebe uma série de objeções e dificuldades, nunca tendo respaldo para seguir adiante como um projeto de implantação. Observa-se ainda que, no mesmo período, houve aporte significativo de recursos (e implantação) de inúmeras outras ações, tanto na parte alta quanto na parte baixa. Este fato tornou-se mais evidente na comemoração dos 70 anos do PNI, quando houve aporte de um montante razoável de recursos para o Parque, mas muito pouco foi aplicado no sentido de resolver a demanda de onde se hospedar na parte alta. As ações limitaram-se a uma pequena reforma do Abrigo Rebouças", diz a carta.Os esportistas também reclamam da baixa capacidade do Rebouças, 16 pessoas, e das consequentes restrições para acomodação na parte alta daquela unidade de conservação com a interdição das pousadas Alsene e dos Lobos. É "evidente que a visitação e as atividades de montanha ficam severamente prejudicadas no contexto criado: ausência de um camping rústico na parte alta aliada ao fechamento das únicas opções existentes. Adicionalmente, ressaltamos que o ato de pernoitar em montanha, é uma atividade que faz parte da cultura do montanhismo no mundo todo, e cuja prática é limitada, pelas mesmas razões, no Planalto do Itatiaia", segue o documento.Por tudo isso, as entidades oferecem apoio técnico e esperam, até maio de 2010, ao menos a definição de um ponto para acampamento na parte alta, em local já indicado no plano de uso público do parque, e a adoção de um processo administrativo "transparente, justo e eficaz" para uso do Abrigo Rebouças.
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