quarta-feira, 3 de março de 2010

De volta aos velhos tempos: quintais contra o efeito estufa

O desmatamento urbano — eliminação de matas, árvores de parques públicos e ruas, além do acimentamento de quintais — é um dos fenômenos responsáveis pelo forte calor nas grandes cidades, sentido com mais intensidade neste verão. Com a desculpa de que plantas dão trabalho e que raízes podem causar danos estruturais em construções, muitos acabam com a vegetação ignorando o mal ao próprio bem-estar.

Diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas (Dibap) do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), André Ilha diz que não há justificativa para tal: “O argumento do trabalho de varrer folhas e cuidar das árvores é injustificável. É bem mais agradável com elas”.

Em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, o desmatamento urbano castiga mais a periferia do que as regiões nobres. Em São Paulo, praças e parques atendem aos bairros mais ricos. No Rio de Janeiro, além de as moradias da Zona Sul terem sido erguidas em áreas próximas da Mata Atlântica, há a brisa do mar. Mas é possível ver espécies eliminadas de muitas vias públicas e praças, às vezes, por falta de conhecimento ou cuidados.

“Se a pessoa está no Jardim Botânico ou no Grajaú, que são bairros do Rio arborizados, a temperatura é uma. Se ela está em outro lugar da Zona Norte, a sensação térmica já é outra. Claramente, a presença de árvores arrefece o calor”, observa André Ilha.

Segundo ele, não é exagero afirmar que a sensação térmica sentida neste verão seja uma das consequências do aquecimento global, e que o desmatamento tem forte relação com esse calor. “As árvores capturam o dióxido de carbono, que é um dos GEEs (gases do efeito estufa), e o fixa em seus caules e folhas”, explica André, que é ambientalista e também fundador do Grupo Ação Ecológica (GAE).

As antigas amendoeiras e pés de ficos causavam muitos problemas a construções, devido à expansão destrutiva das raízes. Muitas foram mortas devido ao risco de abalarem fundações. “E nem eram nativas”, lembra André. Mas há alternativas, como oitis, palmeiras, entre outras espécies nativas da Mata Atlântica. Essas são menos invasivas, frondosas e refrescam o ambiente e as fachadas dos prédios.

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